Nesta quinta feira dia 09 de fevereiro aconteceu na sede social do Esporte Clube Maricá, a terceira reunião da sociedade civil de Maricá e Saquarema para tratar dos ônus e bônus do Pólo Naval de Jaconé (Maricá-Saquarema).
Com a presença de vários moradores das duas cidades e de diversos órgãos representativos da sociedade civil dos dois municípios, foi feita uma apresentação técnica do que será o mega empreendimento, que além do Porto, terá a previsão de cinco estaleiros, pátios de estocagem de óleo e gases (o que tecnicamente é incompatível), porto de minério, porto de abastecimento e alimentação para o Comperj, além de naquele local aflorar o gasoduto e o oleoduto (um vindo da Bacia de Campos e o outro da Bacia de Santos, respectivamente). Uma estrada de ferro (a primeira multiuso do país e de dupla bitola) ligará o porto a vários locais do país através de entroncamento com outras ferrovias.
Construído em aproximadamente cinco quilômetros quadrados (sendo que um quilômetro quadrado será de aterro). o empreendimento acabará com um dos maiores santuários ecológicos do estado, embora venha trazer progresso para região. Mas com esse progresso, virá também um aumento da violência e favelização como aconteceu na nossa quase vizinha Macaé.
Ficou acertado que será enviado ao Ministério Público do Estado a solicitação de uma audiência pública, para que governantes e empreendedores expliquem efetivamente como será o projeto e que as discussões comecem pelos ritos processuais normais.
Ficou também acertado uma nota de repúdio a ser entregue até o dia 14 de fevereiro, para que a mesma seja lida na primeira sessão da Câmara dos Vereadores deste ano, no dia 15 de fevereiro, solicitando conforme é previsto na Lei Orgânica Municipal, e revogação da alteração do Plano Diretor pelo motivo do mesmo ter sido alterado sem o conhecimento da população.
A próxima reunião deverá acontecer em Jaconé (Saquarema) no dia 17 de março, uma quinta feira.
Lamentável foi a ausência da imprensa de Maricá, representada apenas pelos jornais Barão de Inohan, Jornal de Município e CulturarTEEN e da colunista Nina Sciesko da Folha Litorânea.
Texto e fotos: Pery Salgado - Barão de Inohan
Confira as fotos do encontro acessando
III Encontro sobre o Pólo Naval de Jaconé
Com a participação de representantes de Saquarema, Búzios e Maricá no dia 09/02/12, realizou-se o 3º Encontro sobre o Pólo Naval de Jaconé, ficou decidido que:
1º_ Apresentaremos Ação Popular junto ao Ministério Público Federal exigindo maiores esclarecimentos sobre o Pólo Naval de Jaconé;
2º_ Apresentaremos Ação Popular junto ao Ministério Público Federal contra a alteração do Plano Diretor de Maricá;
3º_ Exigiremos anulação sumária desta alteração ao Plano Diretor publicado efetuada pela Câmara de Vereadores de Maricá e publicada no JOM (Jornal Oficial do Município) em 21 de dezembro de 2011, edição especial nº 71, na assembléia de retorno do recesso legislativo.
Houve algumas faltas justificadas antecipadamente, e os demais não foram porque não queriam, não tinham empatia com o tema ou com a localidade. Todos tiveram direito a se pronunciar, manifestar pensamentos, ansiedades, preocupações diante este tema. Tivemos a presença de ambientalistas, que sabem que este é um processo protocolar político administrativo necessário, pois se desde já só lutarmos pelo cunho ambiental, estaríamos admitindo a indecência da alteração do Plano Diretor daquela localidade, no baixar das cortinas de 2011.
Não! Não é uma questão preço e sim de princípios!
Não haverá tempo de comentar as ausências, pois não estão interessados na cidade e seus moradores, se preocupam tão somente com seus próprios problemas, também porque a visibilidade destas pessoas está na importância que damos a eles e sabedores disso se prevalecem do mesmo para se projetarem mesmo ausentes.
O mais importante deste encontro é a união dos municípios em busca de transparência, decência e acima de tudo, respeito e preocupação com o mesmo problema, os impactos de vizinhança, buscando uma solução comum, onde um possa fortalecer o outro, seguindo adiante na luta.
Devemos lembrar que a indústria naval é uma das mais dinâmicas e, ao mesmo tempo das mais sensíveis. Isto é, possui ciclos de alto e de baixo diante da conjuntura econômica mundial. Devemos atentar que no Brasil, cresce assustadoramente o número de construções de Pólos Navais, Rio Grande do Sul, Amazônia, entre outros, mas todas voltadas somente ao segmento petrolífero e um consumidor/usuário/cliente, a Petrobras. Será que estarão preocupados em diluir os riscos destes investimentos? Ou vislumbram algo que não nos apresentam? Será que fazer mega empreendimentos como estes, conforme apresentados, servem somente de sustentação passageira da economia, sem expectativa de transformar isso numa sustentação desse desenvolvimento por décadas.
O Brasil como sempre está na contra mão! Enquanto o mundo se vira para energias renováveis e não poluentes, aqui estão querendo passar por cima das leis, das pessoas, das comunidades para ter o lucro máximo, com menor investimento no mais curto espaço de tempo. Como diz Fernando Pessoa no Verso Pedras no Caminho?:
“Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…”
É isso ai, não fique sentado se lamentando, existem mais pessoas aguerridas e com vontade de projetar seu próprio futuro e não os deixar em mãos de pessoas egoístas egocêntricas e mesquinhas.
Devemos lembrar que no ano passado as ações da Petrobras desvalorizaram mais de 40% mesmo com a alta do barril de petróleo no mercado mundial.
A ganância cega!
Atenciosamente,
ANA PAULA DE CARVALHO
MOVIMENTO LUTO POR MARICÁ
